Dos campos de pelada do Distrito Federal à Seleção Brasileira, o filho
de Dona Rosângela e do Seu Juaci enfrentou anos difíceis no mundo do
futebol. O menino humilde da pequena Riachinho, em Minas Gerais, hoje
é uma celebridade na cidade onde nasceu, mas para chegar onde está
teve que ter persistência, confiança e muita força de vontade.
Sandro começou a jogar futebol por influência do irmão, Saymon, o
primeiro na família a tentar ganhar a vida nos gramados. Aos oito
anos, já morando em Planaltina - DF, ingressou na escolinha do
Arapoanga, o "time do véio Jaci", seu primeiro treinador. Foram lá
seus primeiros contatos com treinamentos, posicionamento, táticas,
uniformes e onde o volante do Internacional descobriu sua verdadeira
vocação: jogar futebol.
Destaque como centroavante no time da vila, Sandro foi convidado a ir
jogar no Zé Vasco, uma escolinha filial do Gama, de Brasília.
"Eu era grande, forte, fazia muitos gols porque para a minha idade eu
era muito alto e atropelava os outros meninos."
Sandro jogou muitos anos no Zé Vasco e ganhou visibilidade nas equipes
mais avançadas das categorias de base. Foi quando recebeu um convite
para ir jogar no Infantil do Gama, de Brasília. Mas as condições eram
muito precárias, os meninos sequer tinham ajuda de custo para irem
treinar.
"Muitas vezes meu pai tinha que tirar passagem dele para eu ir treinar. Quem me ajudou muito também foi o Bira, que colaborava comprando chuteira e também pagando o transporte muitas vezes. Eles nunca me deixaram desistir do sonho de jogar futebol e poder ajudar minha família. Minha sorte é que eu ia bem, aí sempre aparecia alguém para me dar uma chuteira, uma caneleira."
Promessa nas equipes do Gama, foi convidado por um empresário para ir
treinar em Curitiba, onde ficou numa "casa para atletas" e treinava
diariamente a espera de uma oportunidade.
"Foi uma época difícil. Todo mundo indo para os clubes e eu ficando
sozinho, numa casa no meio do nada. Mas eu pensava que nunca poderia
desistir porque ia dar certo. Eu estava lá com o coração apertado, mas
ao sair de casa disse que só voltaria quando pudesse ajudar o meu pai
e a minha mãe. E isso me dava força para continuar."
Em 2006 foi fazer testes no Atlético Paranaense, mas acabou não sendo
aproveitado e foi repassado ao Astral, um clube de empresários de
Curitiba. Pelo Astral, já jogando no meio-campo, foi destaque do
Campeonato Paranaense de Juniores. Disputou a Copa São Paulo de 2007
pelo Londrina, sendo um dos principais jogadores. Foi quando passaram
a surgir melhores oportunidades.
"Quem jogava na época comigo era o Alan, hoje atacante do Fluminense,
e até surgiu uma possibilidade de eu ir para o Flu também. Mas
apareceu a oportunidade de fazer testes no Inter e os empresários me
trouxeram para Porto Alegre. Cheguei aqui machucado no púbis, fiquei
45 dias me recuperando. Todos me olhavam e se perguntavam quem era
aquele menino que tinha vindo para o Inter sem condições de jogo. Mas
diante do que eu já tinha passado, só o fato de estar no Inter era
maravilhoso."
Sandro jogou nos juniores do Inter, onde foi titular da Copa São Paulo
de 2008 e chamou atenção. Promovido ao grupo principal, estreou pela
equipe profissional no dia 26 de março de 2008, em jogo válido pelo
Gauchão, contra o Inter de Santa Maria. Naquele mesmo ano, foi campeão
da Copa Sul-americana pelo Colorado.
Convocado para a Seleção Brasileira Sub-20, foi capitão da equipe e
campeão sul-americano em 2008. Sua primeira oportunidade na Seleção
Brasileira principal chegou em 2009, quando o técnico Dunga o chamou
para os jogos das Eliminatórias, contra Argentina e Paraguai.
"Acho que não foi fácil, mas Deus esteve sempre ao meu lado me dando
força. E eu venci com o mérito de nunca ter desistido. Mas eu não
tenho nada a reclamar do meu passado, tudo foi um aprendizado e valeu
a pena para chegar onde estou."